O Marginalia+Lab, neste primeiro ano, não buscou ser um programa homogêneo. Pelo contrário, desde suas definições iniciais e em todas as atividades e parcerias, o laboratório buscou sempre combinar iniciativas as mais diversas, não se pautando por categorias estanques da interseção entre arte e tecnologia e construindo-se enquanto espaço aberto a propostas distintas de trabalho desta interseção.
Neste conjunto de abordagens e atividades, permaneceu, como um dos esforços centrais do laboratório, consolidar as contribuições do Marginalia+Lab através do registro e documentação constantes, que se tentou realizar e estimular entre os artistas participantes ao longo de todo o processo de trabalho experimentado no último ano. Contudo, entre as diversas dificuldades enfrentadas nesta tarefa, encontra-se a fragmentação e a oscilação destes registros que, embora guardem muito do momento da experiência em sua formulação emergente, necessitam de um momento posterior de releitura e organização para que se estruturem de forma mais coesa e consistente.
Foi com este intuito que o Marginalia+Lab previa, desde sua concepção, a publicação de uma revista online capaz de reunir alguns dos fragmentos desta experiência, sem a pretensão de unicidade, mas buscando organizar em um conjunto os relatos e artigos considerados pertinentes para o primeiro ano de funcionamento do laboratório. A revista se apresenta, assim, enquanto um conjunto diversificado de abordagens, buscando compreender em um sentido ampliado as relações contemporâneas entre a arte e os recursos tecnológicos. São apresentados, portanto, pelo menos dois grupos de contribuições.
Primeiramente, cinco textos escritos por artistas, pesquisadores e curadores convidados apresentam abordagens distintas de algumas vertentes da arte e tecnologia, apontando para a diversidade de caminhos existentes para seu estudo e reflexão. Neste grupo, Giselle Beiguelman traça o panorama contemporâneo do campo no Brasil e suas abordagens tecnofágicas; Patrícia Moran faz uma aproximação do protótipo Marginalia 1.0 Beta, do Marginalia Project; Roberto Andrés faz um provocativo ensaio em torno das relações entre arte e tecnologia; o curador cingapuriano Gunalan Nadarajan reflete sobre o campo da toy art no contexto da arte contemporânea; e Eduardo de Jesus articula relações estéticas e teóricas entre espaço e tempo na artemídia.
Num segundo momento, os artistas participantes do Marginalia+Lab, que desenvolveram seus projetos de experimentação com apoio do laboratório, apresentam em seus relatos o desenvolvimento técnico e conceitual de seus projetos, consolidando os registros feitos ao longo dos meses e abrindo seus processos para o público interessado. Em uma das principais ações do Marginalia+Lab, estes projetos foram selecionados em meio a diversos inscritos e, em abordagens transdisciplinares, fizeram uso de recursos digitais e eletrônicos em projetos de instalações, performances e aplicativos em áreas como música, design de moda, vídeo, poesia e desenho.
Fechando a publicação, a entrevista com Marcos García, responsável pela programação do laboratório espanhol Medialab-Prado, faz uma aproximação da problemática contemporânea dos medialabs, refletindo sobre modelos e metodologias de trabalho para estes centros de pesquisa e experimentação. Após um ano de atividades, esta permanece como uma das principais preocupações do Marginalia+Lab: a reflexão sobre o papel de programas de estímulo à criação em arte e tecnologia e sobre modelos de ação destas iniciativas, buscando formar comunidades interconectadas de criadores para a troca e colaboração. Após um ano de atividades e com a perspectiva de continuidade dos trabalhos do laboratório, a certeza existente é a da impossibilidade de oferecer respostas fechadas ou modelos universais para esta questão, que permanece como um dos principais focos de investigação e experimentação do Marginalia+Lab.
Marginalia Project